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Globo Repórter

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Por Suelen Jornalista - suelen.marques@engeplus.com.br

Em 29/01/2026 às 16:05

Atualização em tempo real

29/01/2026 às 16h46

O ‘Globo Repórter’ passou a ter uma equipe fixa de diretores, formada por cineastas premiados do Rio de Janeiro e de São Paulo que já haviam trabalhado com o cineasta Paulo Gil Soares no ‘Globo Shell Especial’. As contribuições de Eduardo Coutinho, João Batista de Andrade, Geraldo Sarno, Washington Novaes, Georges Bourdoukan, Dib Lutfi, Gregório Bacic, Maurice Capovilla, Walter Lima Jr., Hermano Penna e Luiz Carlos Maciel conferiam ao programa uma linguagem cinematográfica, com forte marca autoral. Nos primeiros anos, o programa era independente da então Central Globo de Jornalismo. Os cineastas pensavam suas pautas e produziam seus programas sozinhos

 

Enquanto fazia parte da equipe do ‘Globo Repórter’, Eduardo Coutinho desenvolveu o que viria a ser o seu primeiro longa-metragem documental, ‘Cabra Marcado para Morrer’, lançado em 1984. Parte da montagem do filme foi realizada na moviola da TV Globo, entre um trabalho e outro. O filme conta a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962.

O ‘Globo Repórter’ tinha três núcleos de produção: Núcleo de Reportagens Especiais, sediado no Rio de Janeiro e dirigido por Paulo Gil Soares, de 1973 a 1982; Divisão de Reportagens Especiais de São Paulo, criada em 1974 por João Batista de Andrade; e a Blimp Filmes, produtora independente, também sediada na capital paulista.

 

Recebíamos cerca de dez latinhas de filmes e saíamos para o campo. Naquela época, fazer uma edição era um trabalho artesanal incrível.

— José Hamilton Ribeiro, repórter

 

Em seu depoimento ao Memória Globo, o repórter José Hamilton Ribeiro contou sobre uma reportagem que fez no Pantanal do Mato Grosso na primeira fase do ‘Globo Repórter’. O relato dá uma noção da forma como trabalhavam as equipes do programa: “Recebíamos cerca de dez latinhas de filmes e saíamos para o campo com uma delas. O operador de câmera tinha de vestir um saco preto para colocar o filme na máquina, de modo que não entrasse luz. Às vezes, no meio do mato, ficava uma cena engraçada. Só então íamos gravar, tendo de nos lembrar de que cada filme tinha apenas 11 minutos de duração, e que se perdia um pouco desse tempo nas partes inicial e final. Nós só saberíamos se a câmera estava com defeito após retornar à emissora. Como estávamos no Pantanal, isso significava que só saberíamos do defeito – e que eventualmente nada havia sido gravado – um mês depois, no Rio de Janeiro. As gravações do áudio e da imagem aconteciam em tempos diferentes: quando um entrevistado falava, o som demorava a entrar. A sincronização do som com a imagem era um trabalho artesanal. Havia, ainda, a etapa da edição, feita em moviola, uma máquina de cinema na qual íamos passando o filme e vendo as cenas. Quando queríamos colar uma cena a outra, tínhamos de fazer os cortes com tesoura e, às vezes, lamber o filme para limpá-lo antes de colar as partes. Em resumo, fazer uma edição era um trabalho artesanal incrível”, lembra.

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